Preciso de ter sempre 10% de entrada?
Em regra, sim: os bancos financiam até 90% do valor da casa, pelo que precisa de cerca de 10% de capitais próprios. Há exceções — e há mais custos além da entrada.
De onde vêm os 10%
A recomendação do Banco de Portugal fixa um limite de financiamento (rácio LTV) de 90% para habitação própria e permanente — e de 80% para segunda habitação ou investimento. Os 90% explicam a regra dos 10%: o banco empresta até 90% do menor valor entre a compra e a avaliação, e o resto é seu.
Sobre que valor se calcula
A entrada calcula-se sobre o menor entre o preço de compra e a avaliação do banco. Se a avaliação ficar abaixo do preço, a entrada efetiva sobe. Por isso a avaliação do imóvel pode mudar a conta — e convém antecipá-la.
A exceção: garantia do Estado
Há um caminho sem entrada: a garantia pública para jovens até 35 anos permite financiar 100% da compra. Em 2025, uma parte significativa do crédito para habitação própria já ultrapassou o limite dos 90% ao abrigo deste regime.
A entrada não é o único custo
Além da entrada, conte com impostos (IMT e Imposto do Selo), escritura, registos, avaliação e comissões — e uma margem de segurança. A pergunta certa não é só se tem 10%, mas quanto precisa, ao todo, para avançar com folga.
Caso prático
Para um imóvel de 200.000 € (valores de exemplo): o banco financia até 90% — 180.000 € —, pelo que precisa de 20.000 € de entrada. Mas some os custos: IMT, Imposto do Selo, escritura e registos podem chegar a 8% do preço (até cerca de 16.000 €). No total, conte com perto de 36.000 € disponíveis, não só os 20.000 € da entrada.
Fontes

Susana Vasconcelos
- Intermediária de crédito autorizada pelo Banco de Portugal n.º 0008496
- Mais de 10 anos na banca