
Compensa transferir o crédito à habitação? As contas de três caminhos num caso de 2026
Com o fim da taxa fixa, a prestação de uma cliente ia subir 69 euros por mês. Comparámos três caminhos com as propostas dos bancos de agosto de 2026: ficar como estava, aceitar a proposta do banco ou transferir o crédito. Explicamos as contas, os custos e quando não compensa.
Nesta notícia
- 01O que é transferir o crédito à habitação?
- 02Porque é que a prestação ia subir 69 euros por mês?
- 03Que opções tinha a cliente?
- 04Quanto pagaria por mês em cada caminho?
- 05Quanto custava mudar de banco?
- 06O pack de seguros do banco compensa?
- 07Quando é que transferir não compensa?
- 08Aceitar a proposta do banco ou consultar o mercado?
- 09O que fazer antes da revisão da taxa
- 10Perguntas frequentes
- 11Fontes
Quando acaba o período de taxa fixa de um crédito à habitação, a prestação pode subir de um mês para o outro. Foi o que aconteceu a uma cliente que pediu ajuda à FINOVA em agosto de 2026.
Este caso compara os três caminhos que tinha: ficar como estava, aceitar a proposta do seu banco ou transferir o crédito para outro banco. Os valores foram alterados para proteger a identidade da cliente. As taxas e as condições são as que os bancos apresentaram em agosto de 2026. Servem para mostrar as contas e não são propostas em vigor.
O que é transferir o crédito à habitação?
Transferir o crédito é passar o empréstimo da casa para outro banco, que paga ao banco atual o valor em dívida. A casa continua a ser a garantia; mudam a taxa de juro, o spread e os seguros.
Porque é que a prestação ia subir 69 euros por mês?
Porque o período de taxa fixa tinha terminado e o crédito passou a pagar a Euribor mais o spread. Na revisão de setembro de 2026, o banco usou a Euribor a 12 meses de 2,855%, a média de julho de 2026, mais um spread de 0,75%.
- Valor em dívida — 160.000 euros, com 33 anos de prazo por pagar.
- Taxa mista — fixa nos primeiros anos e variável depois. A parte fixa já tinha terminado.
- Prestação — passava de cerca de 622 euros para 691 euros por mês.
- Seguro de vida — cerca de 35,50 euros por mês, pago no banco atual.
A cliente não sabia em que mês terminava a taxa fixa. Descobriu-o pela simulação da nova prestação, uma situação frequente.
Que opções tinha a cliente?
Tinha três opções. A FINOVA pediu propostas a três bancos em agosto de 2026, incluindo o banco atual.
- Ficar como estava — Euribor a 12 meses mais 0,75% a partir da revisão.
- Aceitar a proposta do banco atual — taxa fixa de 3,15% durante 2 anos e, depois, Euribor a 12 meses mais 0,70%.
- Transferir para outro banco — taxa fixa de 2,60% durante 2 anos, com seguro de vida e multirriscos nesse banco. Depois, Euribor a 12 meses mais 0,70%.
Quanto pagaria por mês em cada caminho?
Transferir era o caminho mais barato: 649 euros por mês nos primeiros 2 anos, contra 697 euros com a proposta do banco atual e 738 euros sem fazer nada. Os valores incluem a prestação, os seguros e a conta.
| Por mês, nos 2 primeiros anos | Ficar | Proposta do banco atual | Transferir |
|---|---|---|---|
| Prestação | 691 € | 650 € | 602 € |
| Seguro de vida | 35,50 € | 35,50 € | 31,20 € |
| Seguro multirriscos | 10,80 € | 10,80 € | 10,80 € |
| Conta no banco | — | — | 5 € |
| Total | 738 € | 697 € | 649 € |
Estimativas da FINOVA para 160.000 euros e 396 prestações, com a Euribor a 12 meses de 2,855% (média de julho de 2026). O seguro multirriscos assume 130 euros por ano em qualquer dos caminhos.
Em 2 anos, transferir pouparia cerca de 2.120 euros face a ficar e cerca de 1.135 euros face à proposta do banco atual. Só em juros, a cliente pagaria 8.165 euros em 2 anos, contra 9.910 euros e 11.357 euros.
Depois dos 2 anos, as duas propostas ficam com o mesmo spread de 0,70%. A prestação seria de cerca de 685 euros e 682 euros. A diferença maior está no período de taxa fixa.
Quanto custava mudar de banco?
Neste caso, os custos da mudança eram suportados pelo banco novo, numa campanha de transferência em vigor em agosto de 2026.
| Custo | Valor | Quem pagava |
|---|---|---|
| Comissão de reembolso antecipado (0,5%) | 800 € mais imposto do selo | Banco novo |
| Estudo, avaliação e formalização | Incluídos na campanha | Banco novo |
A comissão de reembolso antecipado é o valor que o banco atual pode cobrar quando o crédito é pago antes do fim. Segundo o Banco de Portugal, o máximo é 0,5% do capital pago em taxa variável e 2% em taxa fixa.
Como o crédito já estava em taxa variável, aplicava-se o limite de 0,5%. Se a cliente tivesse de pagar esta comissão, recuperava o valor em cerca de 9 meses face a ficar, ou 17 meses face à proposta do banco atual.
O pack de seguros do banco compensa?
Só compensa quando os seguros já eram necessários. Neste caso, o pack baixava a taxa fixa de 2,80% para 2,60%, cerca de 17 euros por mês na prestação, e a cliente já tinha de ter os dois seguros. As regras sobre onde contratar os seguros estão no guia «Sou obrigado a manter os seguros no banco onde fiz o crédito?».
Uma taxa mais baixa com seguros pode sair mais cara.
Antes de aceitar uma taxa «com seguros», compare o custo total por mês: prestação, seguros e conta. O seguro de vida cobre as pessoas e o multirriscos cobre a casa; o banco costuma exigir os dois no crédito à habitação.
Quando é que transferir não compensa?
Quando o valor em dívida é baixo ou quando falta pouco tempo para acabar o crédito. Dois exemplos com as taxas deste caso e com os custos pagos pelo cliente:
| Situação | A prestação desce | No fim do contrato |
|---|---|---|
| 40.000 € em dívida, 30 anos de prazo, 1.500 € de custos | 22 € por mês | Perde cerca de 190 € |
| 60.000 € em dívida, 8 anos de prazo, 1.500 € de custos | 27 € por mês | Perde cerca de 290 € |
Estimativas da FINOVA, com as taxas deste caso. Comparam os juros pagos até ao fim do contrato com os custos da mudança, sem seguros nem conta.
O momento também conta. Se a cliente tivesse mudado ainda em taxa fixa, a comissão de reembolso antecipado podia chegar a 2% do capital reembolsado: 3.200 euros, em vez de 800.
Aceitar a proposta do banco ou consultar o mercado?
Consultar o mercado. Neste caso, o banco atual baixou o spread de 0,75% para 0,70%, mas a campanha de outro banco tinha uma taxa fixa mais baixa.
“A proposta do banco atual é o ponto de partida da conversa, não o fim. Só se sabe se é boa quando se compara com o mercado. E a melhor altura para o fazer é antes da data de revisão.”
A Euribor subiu desde este caso.
A Euribor a 12 meses teve uma média de 3,239% em outubro de 2026, contra 2,855% em julho de 2026. As taxas fixas das campanhas também mudam. Este caso mostra o raciocínio; cada contrato precisa de contas com os valores do momento.
O que fazer antes da revisão da taxa
- Confirmar a data em que termina a taxa fixa. Está no contrato e no extrato do crédito.
- Pedir a proposta do banco atual por escrito. Com a taxa, o spread e quanto tempo dura cada condição.
- Comparar o custo total por mês. Prestação, seguros e conta, e não apenas a taxa.
- Confirmar quem paga a comissão e os custos da mudança. E se essa condição é permanente ou só durante a campanha.
- Avisar o banco atual a tempo. O reembolso total exige um aviso com pelo menos 10 dias úteis de antecedência, segundo o Banco de Portugal.
Os custos e os prazos de uma transferência estão explicados na página de transferência de crédito e no guia «É possível transferir o meu crédito para outro banco?».
Perguntas frequentes
Tenho de mudar de conta e de débitos diretos?
Normalmente, o banco novo pede uma conta para debitar a prestação e, em algumas campanhas, a domiciliação do ordenado. Os débitos diretos podem passar para a conta nova, e a conta antiga pode manter-se.
O banco novo pode recusar a transferência?
Pode. O banco novo volta a avaliar se o cliente consegue pagar, como num crédito novo. Segue a recomendação do Banco de Portugal sobre a taxa de esforço, que é a parte do rendimento que vai para prestações.
Quando é a melhor altura para pensar em transferir?
Antes de terminar o período de taxa fixa ou antes da revisão anual da taxa. Quando o crédito passa a taxa variável, a comissão máxima desce de 2% para 0,5% do capital reembolsado.
Quanto custa transferir o crédito à habitação?
O banco atual pode cobrar uma comissão de reembolso antecipado até 0,5% do capital reembolsado na taxa variável e até 2% na taxa fixa. Sobre a comissão há Imposto do Selo de 4%. O novo crédito tem custos próprios, como a avaliação da casa, a formalização e os registos. Alguns bancos assumem-nos em campanhas.
A comissão de reembolso antecipado na taxa variável vai acabar?
Ainda não é lei. Um projeto de lei para a eliminar foi aprovado na generalidade a 30 de setembro de 2026 e ainda tem de ser votado de novo no Parlamento. Até lá, o banco pode cobrar até 0,5%.
Não há uma resposta igual para todos. Transferir compensa ou não conforme o valor em dívida, o prazo que falta, o tipo de taxa, os seguros e as campanhas em vigor no momento.
A FINOVA compara propostas de vários bancos e analisa cada caso em concreto. A remuneração da FINOVA é paga pelo banco, depois da escritura. O processo de crédito tem sempre custos próprios: impostos, avaliação do imóvel e registos.
Fontes
Limites da comissão de reembolso antecipado e prazo de aviso de 10 dias úteis: Banco de Portugal — Portal do Cliente Bancário.
Imposto do Selo de 4% sobre as comissões (verba 17.3.4): Tabela Geral do Imposto do Selo, Portal das Finanças.
Avaliação da capacidade de pagamento e taxa de esforço: Banco de Portugal — Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026, ou seja, as regras que os bancos seguem ao analisar um pedido de crédito, aplicáveis desde 1 de agosto de 2026.
Médias mensais da Euribor a 12 meses (julho e outubro de 2026), valores publicados pelo EMMI e compilados pela global-rates.com.
Aprovação na generalidade do projeto de lei que elimina a comissão na taxa variável: idealista/news (30 de setembro de 2026).
Condições dos bancos: propostas apresentadas à cliente em agosto de 2026, com os bancos não identificados. Valores do caso alterados para proteger a identidade da cliente; contas da FINOVA.



