
Taxa mista em 86% dos novos créditos à habitação. O que confirmar antes de escolher
Em setembro de 2026, 86% dos novos empréstimos à habitação foram feitos a taxa mista, segundo o Banco de Portugal. A taxa média era mais baixa do que na variável, mas o período fixo tem um fim. Explicamos o que muda na prestação quando isso acontece.
Quase nove em cada dez novos créditos à habitação feitos em setembro de 2026 foram a taxa mista. Os dados são do Banco de Portugal. A escolha pode fazer sentido, mas a taxa inicial é só parte da decisão. Explicamos o que é esta taxa, o que dizem os números e o que acontece quando acaba o período fixo.
O que é a taxa mista?
A taxa mista é uma taxa de juro fixa durante os primeiros anos do crédito, que depois passa a variável. No período fixo, a prestação não muda com a Euribor. No período seguinte, passa a acompanhá-la. Comparamos as três opções no guia «Taxa fixa, variável ou mista: qual a diferença?».
Quantos novos créditos são a taxa mista?
Em setembro de 2026, 86% dos novos empréstimos para habitação própria permanente foram contratados a taxa mista, segundo o Banco de Portugal. Em agosto tinham sido 87%. Um ano antes, em setembro de 2025, eram 71%. A taxa mista já era a mais usada e ganhou peso num ano.
| Indicador (setembro de 2026) | Valor |
|---|---|
| Novos créditos a taxa mista | 86% |
| Taxa média na taxa mista | 2,92% |
| Taxa média na taxa variável | 3,30% |
| Taxa média de todas as novas operações | 3,06% |
| Prestação média de todos os contratos | 450 € |
Dados do Banco de Portugal, publicados a 2 de novembro de 2026. Referem-se a crédito para construção ou compra de habitação própria permanente. As novas operações incluem contratos renegociados.
A taxa mista está mesmo mais barata?
Em média, sim, mas só no período fixo. Em setembro de 2026, a taxa média das novas operações era de 2,92% na taxa mista e de 3,30% na variável, segundo o Banco de Portugal. A comparação é apenas entre médias e não indica a taxa que cada pessoa vai conseguir.
O número mais baixo também não diz o que vai pagar depois. Essa parte depende da Euribor no momento em que o período fixo terminar, e ninguém a conhece hoje.
Porque é que a prestação média está a subir?
Em setembro de 2026, a prestação média de todos os contratos para casa própria atingiu 450 euros, o valor mais alto desde o início da série, segundo o Banco de Portugal. Foi a 13.ª subida mensal seguida. O valor está 32 euros acima do registado no final de 2025.
O Banco de Portugal atribui a subida aos contratos que já existiam e aos contratos novos, que têm prestações médias mais elevadas. Este valor é uma média de créditos com idades e montantes muito diferentes. Não é a prestação de uma casa comprada hoje.
O contexto também pesa. A 29 de outubro de 2026, o Banco Central Europeu (BCE) manteve em 2,50% a taxa de juro dos depósitos, a sua principal taxa de referência. Tinha subido os juros em junho e em setembro. Em outubro, a média da Euribor a 6 meses foi de 2,975%.
O que acontece à prestação quando acaba o período fixo?
A prestação é recalculada com a Euribor desse momento, o spread do contrato e o valor ainda em dívida. Pode descer, ficar parecida ou subir. Um exemplo mostra a ordem de grandeza.
Um exemplo com números simples
Uma família pede 200 mil euros a 30 anos, com uma taxa fixa de 2,92% nos primeiros 3 anos. A prestação ronda os 835 euros. Ao fim desses 3 anos, ainda deve cerca de 186.900 euros e faltam 27 anos.
| Taxa depois do período fixo | Nova prestação | Diferença por mês |
|---|---|---|
| 3,0% | 842 € | +8 € |
| 3,5% | 893 € | +58 € |
| 4,0% | 944 € | +110 € |
| 4,5% | 998 € | +163 € |
Estimativas da FINOVA, sem seguros nem comissões, com 3 anos de período fixo escolhidos apenas para o exemplo. As taxas são cenários, não previsões. A prestação de cada contrato depende do valor, do prazo, do spread e da Euribor em cada revisão.
Para ter uma referência, a média de outubro da Euribor a 6 meses (2,975%) mais um spread de 1% daria cerca de 3,98%. É uma conta com valores de hoje, não uma previsão para daqui a 3 anos.
A taxa fixa protege durante um período. Não protege para sempre.
Se a prestação só cabe no orçamento com a taxa do período fixo, vale a pena fazer as contas com uma taxa mais alta antes de assinar.
O que confirmar antes de escolher
- Quantos anos dura o período fixo. Dois ou três anos oferecem uma proteção muito diferente de dez anos.
- Qual o spread depois do período fixo. É ele que, somado à Euribor, define a taxa seguinte. Confirme também que Euribor se aplica: 3, 6 ou 12 meses.
- Que condições estão ligadas à taxa. Seguros, domiciliação do ordenado ou outros produtos podem influenciar o valor proposto. Pergunte o que acontece se deixar de os ter.
- Quanto custa amortizar no período fixo. O banco pode cobrar uma comissão até 2% do valor amortizado. Confirme o que está previsto no contrato.
- Quanto fica a prestação com uma taxa mais alta. Peça a simulação com 4% e 4,5%, por exemplo, e compare com o seu orçamento mensal.
Perguntas frequentes
A taxa mista é melhor do que a taxa variável?
Não há resposta única. A taxa mista dá previsibilidade no período inicial; a variável acompanha a Euribor desde o início, para cima ou para baixo.
Quanto tempo dura o período fixo da taxa mista?
Depende da proposta de cada banco. A duração está na FINE, a ficha de informação que o banco entrega antes do contrato. Compare propostas com períodos fixos iguais: uma taxa fixa por 2 anos e outra por 10 anos não se comparam diretamente.
Posso amortizar o crédito durante o período fixo?
Pode. O banco pode cobrar uma comissão até 2% do valor amortizado, mais Imposto do Selo de 4% sobre a comissão. Depois do período fixo, o máximo passa a 0,5%. Explicamos as regras no guia «Posso amortizar o meu crédito? Quais as penalizações?».
Posso mudar de banco quando acaba o período fixo?
Pode pedir propostas a outros bancos e comparar os custos de transferir o crédito. A aprovação depende sempre da análise do novo banco, feita com as regras em vigor nessa altura.
Não há uma resposta igual para todos. A escolha depende do valor do crédito, da folga no orçamento familiar, do tempo que pensa ficar na casa e do risco que está disposto a assumir quando o período fixo terminar.
A FINOVA compara propostas de vários bancos e analisa cada caso em concreto. A remuneração da FINOVA é paga pelo banco, depois da escritura. O processo de crédito tem sempre custos próprios: impostos, avaliação do imóvel e registos.
Fontes
Taxa mista, taxas médias e prestação média (setembro de 2026): Banco de Portugal, BPstat, nota de informação estatística de 2 de novembro de 2026. Peso da taxa mista em agosto de 2026: nota de 1 de outubro de 2026.
Subidas de juros de 2026 e decisão de 29 de outubro de 2026: Banco Central Europeu, comunicados de 11 de junho, 10 de setembro e 29 de outubro. Data da reunião de dezembro: calendário do Banco Central Europeu.
Média da Euribor a 6 meses em outubro de 2026, valores publicados pelo EMMI e compilados pela global-rates.com.
Peso da taxa mista em setembro de 2025: idealista/news, com dados do Banco de Portugal (31 de outubro de 2025).
Limites da comissão de reembolso antecipado: Banco de Portugal, Portal do Cliente Bancário.
Imposto do Selo de 4% sobre as comissões (verba 17.3.4): Tabela Geral do Imposto do Selo, Portal das Finanças.
Prestações do exemplo: cálculo da FINOVA, com os pressupostos indicados no texto.



